Depende da abordagem com que o terapeuta trabalho. Da Terapia Comportamental, o que se espera é um processo ativo de autodescoberta, aceitação e mudança. Terapeuta e cliente se envolvem em um compromisso ativo de trabalhar para que o cliente conquiste suas metas ou supere os problemas que o levaram a buscar por terapia.

Esse processo tem início já nas primeiras sessões, quando o terapeuta formula perguntas com o objetivo de entender detalhadamente os problemas enfrentados pelo cliente (sejam transtornos mentais ou dificuldades em áreas específicas da vida), suas metas, sua história e suas condições atuais de vida. Desde o começo da terapia, o terapeuta trabalha também para obter uma descrição preliminar das estratégias que o cliente utiliza para lidar com seus problemas ou perseguir suas metas, identificando o quanto cada uma delas funciona. É a partir destas informações que o profissional constrói a formulação do caso e o plano de tratamento de cada pessoa.

É também nas primeiras sessões que o cliente conhece o método de trabalho do profissional,  seu estilo interpessoal e sua proposta de como será o tratamento. Nelas são definidos, também, os detalhes estruturais do trabalho, como a regularidade dos atendimentos (semanais, duas vezes por semanal, quinzenais, mensais, etc.), o formato de terapia recomendado (individual, casais, família, etc.), o valor a ser pago e a forma de pagamento. Por fim, terapeuta e cliente podem chegar a um acordo explícito de trabalho conjunto para tratar os problemas existentes ou conquistar as metas do cliente.

Existe a possibilidade de o terapeuta avaliar que não é o profissional mais indicado para ajudar o cliente com suas metas ou com a resolução de seus problemas, ou, ainda, de o cliente perceber que o estilo interpessoal, o método de trabalho ou a proposta terapêutica do profissional não são compatíveis com aquilo que deseja. Neste caso, ambos podem discutir a possibilidade de encaminhamento a outros profissionais, sejam psicólogos ou não.

Situações assim são comuns quando o tipo de problema que o cliente enfrenta é diferente daqueles com que o terapeuta trabalha ou quando o estilo interpessoal de ambos é pouco compatível. Na ausência de condições como estas, em geral, a terapia prossegue normalmente.

O tratamento pode envolver ensinar ao cliente estratégias mais hábeis, caso ele não possua as habilidades das quais necessita, ou resolver os problemas que interferem em sua capacidade de agir habilmente, caso ele já possua as habilidades e não consiga utilizá-las. Em geral, estes problemas podem ser de ordem cognitiva, emocional ou ambiental. Para cada uma destas possibilidades existem estratégias específicas de intervenção baseadas em vários anos de pesquisas sobre como o comportamento humano funciona. A título de exemplo, existem fortes evidências de que as melhores estratégias para tratar problemas relacionados à ansiedade intensa são aquelas baseadas em procedimentos de exposição, que dependendo da situação, podem ou não ser combinados com outras intervenções – como desenvolvimento de habilidades, modificação de cognições (ou da forma com que se interage com as cognições) ou manejo de contingências.

É possível que em certos momentos da terapia o cliente experimente emoções indesejadas, diante das quais ainda não sabe como agir. É natural! Em muitos casos, a terapia aborda assuntos difíceis de serem falados, faz perceber problemas até então não percebidos e muda coisas com as quais o cliente já estava acostumado. Em algumas situações isso pode ser necessário para conquistar as metas desejadas ou superar os problemas enfrentados. Uma análogo útil para a situação é o trabalho do médico que trata de uma lesão. Ele precisa mexer na lesão e isso gera dor. Ele precisa verificar se existem outros comprometimentos além dela, como infecções ou danos a outras partes do corpo. Para trata-la, ele pode precisar adicionar próteses (habilidades), pode precisar colocar as coisas no lugar (resolver os problemas que interferem no uso das habilidades) e, então, acompanhar a cicatrização para que corra tudo bem.  Obviamente, assim como o médico faz uso da anestesia, o Psicólogo faz uso de recursos específicos para amenizar a dor o quanto for possível. O terapeuta avança à medida em que o cliente está disposto e possui recursos psicológicos para conseguir.

 

O que não pode acontecer na terapia? 

Os as regras para a atuação do Psicólogo são definidas pelo Código de Ética da profissão, que você pode acessar clicando aqui. Além dele, existem diversas resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que tratam de situações específicas da prática profissional do psicólogo. Elas podem ser acessadas aqui.