Artigo de Natália Nogueira
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Renato Russo não esteve equivocado quando citou o trecho acima em sua música “Esperando Por Mim”.

Nos dias de hoje, é comum ver as pessoas imersas em seu próprio ‘universo paralelo’através de tablets, celulares, etc. A internet, com sua febre das redes sociais, se tornou uma alternativa simples para se comunicar com aquele parente distante que mora a milhares de quilômetros de você, mas também com aquela vizinha que mora três casas abaixo da sua e que poucos passos permitiriam um outro tipo de contato.

As relações, de um ponto de vista no qual a internet ainda era um meio desconhecido, tornaram-se evasivas. O que veio como um meio de aproximação, afasta cada vez mais. Se torna cada vez mais história aquilo que escutamos de nossos avós, que falam de relações de muita proximidade com os vizinhos, parentes e amigos, casas cheias de pessoas, frequentadas diariamente. O tempo não para, mas para eles, não passava tão despercebido.

Não podemos generalizar e dizer que todas as pessoas se relacionam desta forma com a tecnologia, uma vez que, nos dias atuais, essas ferramentas são de imensa utilidade e essenciais para o modo de vida vigente. Adotar um modo de vida diferente deste seria retroceder, caminhar na contramão da evolução. Vivemos a globalização, a era do imediatismo, onde o novo pode-se tornar velho dentro de um ano ou até menos. Acompanhar este processo não é tão fácil quanto parece, uma vez que a medida em que tudo a nossa volta cresce, as cobranças são maiores e muitos adoecem por isso. Este é o sistema que transforma e forma alienados.

Não queremos deixar a impressão de que a solidão seja maléfica e nociva, pelo contrário, quando estamos com nós mesmos, conseguimos refletir mais acerca de tudo a nossa volta. É um tempo nosso. A angústia precisa ser vivenciada, é o impulso para as criações. Temos todo o direito de não estarmos felizes e sorrindo sempre. O choro é útil para extravasar um pouco daquilo que por dentro está se tornando insuportável. Somos humanos e precisamos disso para seguir em frente. Não falo de uma solidão criada e proporcionada pelo meio em que estamos hoje e, sim, de uma solidão própria do indivíduo e saudável, aquela que demonstra em sua pureza o que é realmente ‘ser’ ! Não são todos que conseguem sustentar essa solidão, esse confronto com o seu ‘eu’, essa demonstração de que é fraco em um mundo que exige que seja o forte. Muitos não tem estrutura, se alienam ou somatizam.*

Esta é uma das questões do nosso presente que merecem mais atenção. Não estamos defendendo a ideia de que internet, redes sociais e tecnologia sejam totalmente maléficas, afinal, este texto se propaga através delas. A discussão que propomos é sobre um mundo que cada vez mais se torna doente devido ao excesso de cobranças, a falta de contato, a troca de cartas, falta de um abraço, um toque sequer, onde o nosso próprio tempo não padeça sobre o tempo que a industrialização impôs. O Outro precisa de alguém que o escute e o reconheça em sua dor, que o auxilie na sustentação de seus passos. Não podemos concordar com uma sociedade que se equilibra através de Rivotril e Prozac, que se dopa, fica muda e que se torna doente porque o mundo o faz crer que seja assim.
*Somatizar é manifestar no corpo, na forma de uma doença ou um sintoma, algum conflito interno (psíquico).

Digam o que disserem – O mal do século é a solidão