Não é fácil reconhecer um transtorno mental. Muitos deles são bastante parecidos com o funcionamento humano saudável e, em muitos casos, tem características bastante valorizadas socialmente. É o que ocorre, por exemplo, em algumas manifestações do Transtorno Obsessivo Compulsivo (especialmente aquelas em que a pessoa é extremamente produtiva ou organizada) e na Ortorexia (obsessão pela dieta perfeita). São situações em que apesar de parecer que está tudo bem – e a própria pessoa chega a acreditar nisso –, existem sérios prejuízos a outras dimensões da vida ou um sofrimento intenso é experimentado pelo indivíduo. Ainda assim, existem sinais que, se observados com atenção, podem funcionar como pistas de que a saúde mental precisa de cuidados profissionais.

A Associação Psiquiátrica Americana elaborou um guia listando estes sinais. Confira, abaixo, uma tradução adaptada delas:

Desinteresse social: perda do interesse em outras pessoas ou recente atitude de isolamento.

Queda no funcionamento: alteração incomum no funcionamento da pessoa em qualquer área ou dimensão da vida, como nos estudos, trabalho ou interações sociais (ex.: desistir de esportes, faltar às aulas, passar a evitar atividades familiares e sociais, etc.).

Problemas de pensamento: dificuldade de concentração, problemas com a memória, desorganização da fala, pensamento ilógico ou discurso difícil de explicar (ex.: histórias mirabolantes, pouco factíveis).

Sensibilidade aumentada: aumento da sensibilidade a imagens, sons, cheiros ou toque e consequente evitação de situações em que esse tipo de estimulação esteja presente.

Apatia: perda do interesse e da iniciativa para participar de qualquer atividade.

Sensação de desconexão: um vago sentimento de estar desconectado de si mesmo ou das coisas ao redor, ou ainda, uma sensação de irrealidade.

Nervosismo: agitação psicomotora, agitação mental ou irritabilidade acima do comum ou fortes o suficiente para causar prejuízos ou sofrimento a quem as experimenta.

Alterações no sono ou apetite: aumento ou redução significativa na vontade ou na capacidade de dormir ou comer.

Comportamento incomum: atitudes estranhas, pouco características daquela pessoa ou da cultura em que ela vive.

Mudanças de humor: alterações rápidas ou intensas das emoções.

Outros sinais importantes, mas não inclusos na lista da Associação, são:

Sofrimento intenso, contínuo ou excessivamente frequente/ repetitivo diante de situações ou experiências rotineiras do dia a dia, como interações sociais, trabalho, convivência familiar, estudos, ou, ainda, em atividades aparentemente simples para outras pessoas, como dirigir, sair de casa, dormir, comer de maneira equilibrada, fazer sexo, entre outras.

Descontrole do comportamento ou comportamento impulsivo, caracterizado por constantes explosões ou atitudes que produzem danos a dimensões importantes da vida, como relacionamentos, trabalho, saúde, segurança ou outras.

Sensação ou percepção de que a vida faz pouco sentido, de que não é capaz ou não merece experimentar emoções positivas ou viver experiências agradáveis.

Intensidade elevada ou incontrolável da experiência de emoções desagradáveis, como cansaço, tristeza, culpa, desgaste emocional, entre outras, por longos períodos ou de maneira repetitiva, associada ou não à incapacidade de experimentar emoções agradáveis.

Abandono de atividades (sociais, de trabalho, acadêmicas, esportivas ou outras) importantes para a vida daquela pessoa em particular, ou ainda, dificuldade relevante (falta de iniciativa, sofrimento intenso relacionado a se envolver nelas ou dificuldades de outro tipo) para inicia-las ou dar continuidade a elas.

– Controle excessivo do comportamento ou do humor, caracterizado por rigidez ou inflexibilidade na forma de pensar, agir ou sentir ou por intolerância ou incapacidade para lidar com variações na rotina.

Pessoas com pensamentos suicidas ou com intenções de prejudicar outras pessoas merecem atenção imediata.