Por Gabriela C. Lopes de Castro

Discente de Psicologia

De um ponto de vista analítico-comportamental, ser assertivo é ter atitudes ou pensamentos que garantam a produção, manutenção ou o aumento de reforçadores. Por exemplo: você está diante de um público apresentando um trabalho e algo de constrangedor acontece, mas ainda assim, você consegue dizer algo totalmente apropriado que resolva a situação, você teve uma atitude assertiva.

Mas e quando não sabemos o que dizer? E quando o medo ou a vergonha nos impedem de ter uma iniciativa? Bom, para isso, é necessário que se tenha algumas habilidades que obviamente podem ser aprendidas ou melhoradas. Uma dessas habilidades é: se expressar. Para expressarmos algo, é preciso que sintamos primeiro, claro. Nossos sentimentos ocorrem, entre outras situações, em nossa interação com as pessoas, geralmente aquelas que convivem em nosso meio (familiares, amigos, parceiro). Então, se temos algo a dizer a estas pessoas mas não sabemos como fazer isso, podemos usar de estratégias para nos ajudar. Por exemplo:

1- Se seu amigo fez algo que lhe chateou e você quer dizer isso a ele, você poderá usar uma espécie de escala de relevância: De 0 a 10 o quão é importante dizer-lhe? Suponhamos que você deu a nota 8,5, ou seja, é mesmo muito importante para você expressar-se naquele momento.

2- Depois dessa breve análise, você pode tentar encontrar maneiras de dizer. Exemplo: pessoalmente, por mensagem, por telefone. Vamos supor que para você seria interessante dizê-lo pessoalmente, então, vamos para o próximo passo.

3- Você precisa ser claro e objetivo, pois dessa forma o ouvinte não ficará confuso e saberá exatamente o que você quer dizer.

4- Enfim, você se encontrou com seu amigo e apesar de toda ansiedade conseguiu dizer tudo a ele. Para isso, você ficou atento às suas palavras, mas também às reações emitidas por ele.

Viu só? Pode não ser tão difícil, ainda que pareça ser. Se pudéssemos ter uma lição neste dia, seria a de sempre falar. Pode parecer radical, mas expressar-se é uma atitude assertiva, seja dizendo algo bom ou ruim. Somos assertivos quando nos percebemos como seres humanos respeitáveis e capazes de nos expressarmos. Se eu tenho a chance ou a necessidade de dizer sobre o que sinto, por que não fazer isso?

Na teoria parece simples organizar as situações e analisa-las, mas, o que seria de nós se não acreditássemos na mudança? Se você leu esse texto e se sentiu frustrado por não conseguir se expressar, não se desespere. Talvez você precise de ajuda para lidar melhor com esses aspectos. Sendo assim, não se acanhe! Busque ajuda de um psicólogo. Ele é um profissional que vai te ajudar a analisar seu problema e de sua personalidade; identificar os determinantes de sua conduta (ações observáveis), de seus sentimentos, pensamentos e sensações para que assim você se torne mais apto para reformular conceitos e regras impróprias que regem a sua vida, expor-se e vivenciar mais intensamente, de forma protegida e produtiva, as situações relevantes de seu dia a dia.

Referências:

MARCHEZINI-CUNHA, Vívian; TOURINHO, Emmanuel Zagury. Assertividade e autocontrole: interpretação analítico-comportamental. Psic.: Teor. e Pesq.,  Brasília,  v. 26, n. 2, p. 295-304, Junho de 2010.

CONTE, Fátima. BRANDÃO; Maria Zilah da Silva. Falo? Ou não falo? Expressando sentimentos e comunicando ideias. 2ª ed. Londrina: Mecenas, 2007.

BRANDÃO, Maria Zilah da Silva et al. Comportamento Humano – Tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver melhor. 1ª ed. Santo André, SP: ESETec Editores Associados, 2002.

Assertividade – Devo ou não me expressar?

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